Brasilia - DF

RJ-Brasilia-RJ

Conhecer Brasilia estava em meus planos para ser um roteiro rápido, talvez uma passagem por lá antes de ir a Chapada. Não nutria nenhum interesse por causa do clima mas queria conhecer por questões históricas.
Mas minha visita foi a trabalho. Tinha sido convocada no trabalho para participar de uma reunião lá na Representação da Organização Panamericana da Saúde que seria de 2 horas na parte da tarde. Não deu outra, marquei meu voo para o primeiro horário para poder percorrer a cidade pela manhã. Segui do aeroporto num onibus executivo que percorre todos os Ministérios e os Monumentos mais importantes. Fica tudo meio perto mas para percorre-los tem que ter mais tempo disponível. Também tem o ônibus de turismo desses que você pode descer varias vezes (www.brasiliacitytour.com.br) e percorre 10 pontos turísticos.

O que me encantou mesmo foi a catedral, é linda. Uma arquitetura inexplicável de tão surpreendente. Percorri o Planalto numa visita guiada e isso realmente me bastou, a cidade vai ficar por ultimo no meu roteiro turistico no Brasil que tem tantas outras lindas e interessantes.

O mais absurdo que me aconteceu na cidade é que fiquei hospedada num hotel ao lado do shopping e quando estava dando uma voltinha por lá encontrei uma prima (Thaiane) que não via há muito tempo por acaso. Foi uma surpresa para nós duas!!!! mundo pequenininho!!!!

Fernando de Noronha

RJ-Recife (G31876) Recife-Fernando de Noronha (G31708).
Essa foi a viagem que eu decidi sem pensar duas vezes, mesmo sabendo do custo que tinha a fama de ser alto. Aguarde os detalhes...

Washington, DC - EUA

Washington, DC - EUA
Marcaram a minha viagem ao EUA para o dia 11 de setembro de 2010 e assim fui apreensiva por isso e por não falar o idioma local. Fiz uma conexão em Miami e cheguei a Washington sã e salva. Me hospedei num apart hotel muito bom o The925apartments (the925apartments@aol.com.br - 925 25th St. NW - 202-3427800) bem pertinho da PAHO onde fui por uma semana a trabalho.
Um mes antes eu comprei um guia (editora Ciranda Cultural) que me facilitou conhecer toda a cidade em 1 semana. Fui praticamente em todos os pontos turisticos, o guia me ajudou muito para circular na cidade que achei muito fácil. Por incrivel que pareça eu me senti como se já conhecesse tudo e me senti bem a vontade, não tive problemas com alimentação porque fiquei num apart hotel a cerca do prédio Watergatte que tem um supermercado embaixo. Adorei o bairro Georgetown e a avenida Massachusettes onde ficam os consulados e a Soka Gakkai International da qual sou membro e diz questão de visitar.
Os museus são todos de graça mas a gente tem que ter uma certa paciencia porque somos revistados em todos locais, a segurança no país chega a ser neurótica.
Mesmo tendo percorrido quase tudo nos dois ultimos dias fiz o passeio no onibus Sightseeing - Hop off and Hop on (http://www.opentopsightseeing.com/) em que voce pode descer onde quiser e depois pegar outro onibus. Ele sai do Union Station e custa $35,oo dolares, dá direito a dois dias de passeio e são 30 pontos. Vale a pena.

Belém do Pará - Ilha do Marajó (C3ZV2V)





Aeroporto Belém do Pará X Icoaraci X Hotel X Cia das Docas X Ver-o-Peso
Aproveitei o feriado do dia da consciência negra para ir conhecer uma raça tão escravizada quanto os negros, a raça indígena de Belém do Pará.
Achar informações na internet a respeito da cidade antes de viajar foi difícil, encontrei pouquíssimas informações mesmo fuxicando os “mochileiros.com”. Tudo apontava para o site da Paratur, órgão oficial do estado, que achei incompleto, mencionava os pontos turísticos mas não dizia endereço, telefone, horários de atendimento, nada. O pouco que consegui foi buscando aqui e ali.
Tive uma ótima estadia, assim que cheguei o primeiro impacto foi com relação a luminosidade do aeroporto internacional (Av. Júlio César, s/n, Val de Cans - Tel.: 3210-6039) que tem uma arquitetura pensada para aproveitar a luz natural. Se pensarmos na questão da energia elétrica atualmente acho que os arquitetos deveriam estudar um pouco mais sobre essas possibilidades e passarem a projetar residências e prédios comerciais com essa visão.
O aeroporto fica a mais ou menos 12 km do centro da cidade e pode-se ir de taxi (sai por uns R$35,00) ou de ônibus (R$1,70). Há diversas linhas que passam pelo aeroporto, mas a maioria tem que fazer baldeação na Estação do Marex. Tem uma linha 634 - E Marex/Arsenal que vai pela orla de Belém contornando a baía do Guajará passando pelos armazéns do porto e indo até o Mercado Ver-o-Peso (tem que estar escrito na frente “Centro”). A linha 638 - Pratinha/Presid. Vargas passa pelas avenidas mais importantes da cidade como Governador José Malcher e a Presidente Vargas. Mas o transporte coletivo não é um serviço muito bom na cidade.
Fiquei hospedada no hotel Grão Pará (Av. Presid. Vargas, 718 - tel.: 32212121) bem em frente ao lindíssimo Teatro da Paz (inaugurado em 1878 ornamentados com ferro inglês banhado a ouro, lustres de cristal Frances e mármores italianos, em agosto costuma ter o festival de ópera; já foi a casa mais luxuosa do país onde se exibiram Carlos Gomes e a bailarina Ana Pavlova) e pertíssimo da Cia Docas, não é um hotel 5 estrelas mas eu gostei. Nem bem cheguei ao hotel já deixei minhas malas e fui direto para Icoaraci, o centro da cerâmica Marajoara; é de lá também que sai a balsa para a Ilha de Marajó. Depois fui direto para as docas, almocei por lá e fui conhecer o mercado Ver-o-Peso.
Por incrível que pareça não me identifiquei com o mercado, adoro ir a mercados e feiras toda vez que conheço uma cidade mas não consegui manter o desejo lá. O cheiro me incomodou, lembrou a antiga feira de peixes que havia na praça XV no Rio e que felizmente tiraram. Sempre ouvi muito sobre os “cheiros do Pará” mas esse talvez eu não tenha tido a boa sorte de sentir. Mas há algumas considerações que vou deixar no final para me redimir.

Belém X Ilha de Marajó
Na sexta-feira acordei as 5:00h para ir a Ilha de Marajó, tinha duas opções: ou ia para o II Festival de Cultura Mokanaia em Muaná ou ia para Soure que era a única referencia que tinha por ser considerada a capital da Ilha. Desisti da primeira porque ao perguntar a recepcionista do hotel como fazia para ir até Muaná ela me disse que nunca tinha ouvido falar (isso é inaceitável para uma profissional da área turística, deveria ao menos aprender um pouquinho sobre a cidade onde vive).
As informações de barcos, locais e horários não encontrei em nenhum site mas por sorte optei por Soure, como disse antes pode-se atravessar a Baía do Guajará de balsa que sai de Icoaraci (linha rodo-fluvial Icoaraci-Marajó) ou num barco que sai da Cia Docas, eles tem um guichê de venda no setor turístico (linha fluvial Belém-Marajó).
Saímos as 7:30h (o bilhete custou R$25,00) até o Porto de Camará, a viagem dura mais ou menos 2:30min e lá tem que pegar uma van até Salvaterra (R$5,00) que dura uns 20min. Salvaterra é formada por 48 vilas, lá você embarca numa balsa (passageiro não paga, só os carros) até Soure que fica na outra margem do rio e você vê perfeitamente. Essa travessia dura uns 10 min.
No barco ainda em Belém conheci o Sr. João que ao primeiro olhar já foi logo puxando conversa, o barco nem tinha saído ainda e ele já foi logo perguntando admirado o que é que eu estava fazendo ali sozinha? Quando disse que era do Rio e que tinha ido conhecer Belém, ele ficou perplexo.
Como é que pode - disse ele - uma mulher sozinha viajando assim!!!
Foi ótimo te-lo conhecido porque fui lhe perguntando tudo em boa parte da viagem e ele me contando tudo em relação a Belém e ao Marajó. Fomos conversando do lado de fora do barco porque lá dentro o ar condicionado estava congelando, mas ele me preparou que só poderíamos ficar ali até certo local porque depois o barco ia bater muito e a água ia molhar todo mundo.
Seu João estava admirado também por eu ter feito uma viagem tão rápida de avião até lá, enquanto ele estava chegando de Macapá de navio numa viagem que durou 2 dias e meio e ainda estava indo para Joanes no Marajó. Ficamos dialogando coma perplexidade a respeito das vantagens e desvantagens da modernidade.
Foi ele quem me deu todo o serviço de onde era Muaná, me traçou no “ar” o mapa de Belém e de suas ilhas para que eu entendesse e me localiza-se. Contou que só há 1 barco para Muaná e que sai somente a noite para viajar toda madrugada e chegar pela manhã,, assim economizam os serviços de alimentação. Geralmente em viagens que ultrapassam seis horas eles tem que servir café da manhã, almoço e jantar conforme as horas de viagem.
Na altura da Ilha de Cotejuba ele me contou a respeito do capitão Amaral que tomava conta do antigo presídio na ilha que foi desativado. Disse que o conheceu bastante e que o viu morrer atormentado pelas atrocidades que havia cometido durante o tempo que tomou conta do presídio.
Muitos presos que eram enviados para a ilha nem conseguiam chegar porque eles os obrigavam a pular na água com as mãos algemadas, alguns não sabiam nadar e morriam outros sofreram torturas como ficarem jogados sobre um formigueiro ou sofrendo privações.
Seu João disse que ao final da vida o capitão Amaral enlouqueceu por causa da consciência.
Toda hora ele interrompia suas historias dizendo que eu tinha que ficar mais tempo em Belém porque eu precisava conhecer as belezas de lá, que eu precisava conhecer melhor as cidades, as pessoas, o jeito de ser do paraense de verdade, do caboclo, do índio.
Me contou que numa ocasião, numa ilha que não me recordo o nome ele e um amigo pararam para comer num lugar e pediram um peixe - o tapanã - e a pessoa ia preparando quando a dona, uma índia, mandou parar dizendo que não podia ser feito daquele jeito. Que tapanã não pode lavar, tem que pegar no rio e já preparar sem lavar para não perder o gosto. Dizia que era assim que se prepara um peixe. Nem sei o que faria se fosse comigo.
A nós se juntou um rapaz que se apresentou como estudante de turismo, o Welinton, e que estava indo para Soure para fazer um trabalho de campo para a faculdade, me deu todo o serviço da cidade: onde comer, onde comprar, por onde ir, etc. Ele foi muito simpático e no Porto de Camará me ofereceu carona até Salvaterra no carro de suas amigas, duas que estudavam com ele. Durante a viagem me entrevistaram, fotografaram e gravaram tudo que dizia, também me ensinaram todas as gírias de Belém.
Em Soure nos separamos, eu tinha pouco tempo para explora-La mesmo a cidade sendo bem pequenininha.
Quem espera encontrar búfalos por toda Soure está enganado, só vi dois por todas as ruas que andei. Os búfalos deram lugar aos moto táxis como em todo país. Eles se concentram mais nas fazendas que ficam mais afastadas. Pra visitar as fazendas, o curtume, as praias de rio você tem que pernoitar. Soure é uma graçinha, perto do Mercado (que não tem quase nada) tem o centro de artesanato (que também não tem quase nada). As ruas são limpíssimas, andei toda a ilha com um copo descartável na mão porque não encontrei nenhuma lixeira.
Quase em todas as casas tinha uma placa de “Vende-se chop”, até pensei porque vendiam tanto chopp mas não é nada disso. Chop é para nós o sacolé e fala-se “chupe”.
A cidade não tem acolhimento ao turista que chega sem ser através de agencia, não há sequer uma pessoa no desembarque que dê informações e que atue como um guia, também não creio que haja uma pessoa como eu que faça essas loucuras.
Lá eu tomei o guaraná do Marajó, uma mistura de guaraná com castanha, com canela e outras coisas que não sei o que era, só sei que era cremoso e delicioso. Diferente também é o açaí, nada a ver com o que conhecemos aqui no sudeste; queria saber o que os comerciantes adicionam para termos esse que tomamos que é bem mais fraco. Também não quis tomar em qualquer lugar por causa da incidência de doença de chagas através do açaí que tanto falam no meu trabalho por isso evitei por não confiar na procedência.
Bom, minha visita a Soure se encerrou muito rápido, esperei a balsa que sai as 13:30 para Salvaterra sob a sombra de uma mangueira com o vento delicioso refrescando o calor intenso. Para entrar na balsa tive que colocar o pé no rio até o calcanhar, isso explicou porque todo mundo anda de chinelo de dedo.
D. Nazilda que vende espeto (em frente a Porteira Barra Velha perto do Marisco Louco a R$0,50) e outros pratos regionais entrou comigo. Eu e ela ficamos tomando conta de um sujeito que vendia chop por R$0,50. Ela ficou inconformada porque vendia o dela por R$0,25; eu também fiquei inconformada com a luta dela.
Em Salvaterra as vans já ficam te esperando para te levar ao porto de Camará. Em Camará fique atento, as pessoas não ficam na fila pra comprar o bilhete e essa balsa lota. Em compensação fazem uma fila de malas, mochilas e sacos, quando percebi que ia ficar pra traz coloquei logo minha mochila lá e garanti minha volta.
Essa balsa me deu medo, meu amigo Welinton disse que essa “batia” muito e que na semana anterior todo mundo tinha colocado colete salva-vidas. Comprei um bilhete para a ala VIP (por R$15,00) a diferença era pequena da normal que tem os bancos de madeira embora a única diferença seja a de que a VIP muito menor tem ar condicionado mas é um entra e sai o tempo todo. Permaneci sentada ali só até recuperar o cansaço e depois de uma hora sai e me sentei no setor normal, também fui a lanchonete do barco para fazer um lanche, ali os homens ficam concentrados em volta das mesas ou jogando a dinheiro, ou jogando conversa fora. Alguns riam muito com as historias que eram contadas outros permaneciam sentados vendo a TV que funcionava muito mal e pouco se ouvia por causa para conversa ao fundo.

Isso não foi tudo, ainda vou completar esse post...

Curitiba/ Florianópolis/Foz do Iguaçu/Ciudad del Leste

Tenho fascinação pelo norte e nordeste do país e nunca nutri nenhum desejo de seguir para o sul a turismo, embora ouvisse falar das cidades floridas, limpas e de cultura européia que marcam tais estados. Bom mas se meu projeto é conhecer todo o Brasil antes de rumar para viagens estrangeiras não posso descartar nada. Segui para os dois estados costeiros que me faltavam conhecer em 2008. Chegada com dias chuvosos mas encantadores, gostei muito de Curitiba, o povo é bastante provinciano, recatado mas receptivo; uma coisa meio rural que eu gosto muito. Fiz toda a Linha Turismo onde o usuário paga e recebe uma cartela que lhe dá direito a um embarque e três reembarques, o que permite que a pessoa escolha o ponto turístico que quer conhecer melhor. São com 23 pontos turísticos, deles todos adorei o bairro Santa Felicidade, adorei. Depois fui no trem da Serra Verde até Morretes que é uma viagem lindíssima, segui para Paranaguá que é linda, não podia imaginar uma cidadezinha tão linda; caminhei por todas as ruas que tem uma arquitetura de açoriana inesquecível. Almocei por lá e voltei de ônibus para Curitiba viajando no dia seguinte.
Saí as 23h de Curitiba para chegar a Foz do Iguaçu as 6 da manhã; o passeio as cataratas é gratificante. A principio achei o passeio meio chato, parecia mais uma obrigação ter que conhecer a oitava maravilha do mundo. Depois a medida que ia descendo a mata e sentindo aquele ar úmido e ouvindo um barulho cada vez maior de água caindo, me misturando com pessoas de várias nacionalidades fui saboreando o mais o passeio.
Sabe que não adianta alguém me dizer que gostou ou não de algo se eu mesma não provar. Assim foi com a catarata, me emocionei!!!! Quando cheguei por fim pertinho e vi aquelas nuvens nascendo das águas tocou meu coração. Lembrei de quando as professoras de ciência simulavam o nascimento de uma chuva fervendo uma caneca de água e fazendo evaporar. Que aula lastimável, todas as aulas de ciências deveriam iniciar no Foz do Iguaçu, imaginem só as crianças verem as nuvens se formando ali pertinho delas... que máximo seria, fui também a Usina de Itaipú só por conhecer; queria conhecer a única mesquita muçulmana da América do Sul e um templo budista que tem lá mas não deu, a mesquita estava fechada e não tive tempo para o templo. De Foz segui para Ciudad Del Leste que não suportei, segui em frente fui até a rodoviária deles e peguei aqueles caminhões coloridos disfarçados de ônibus rumo a um lugar distante só para ver como era. Não me aventurei mais porque não tinha muito tempo mas o meu desejo era ir até Assunción dessa forma, depois soube que há um trem que sai do Rio para o Paraguay e Argentina e coloquei nos meus futuros roteiros. Por isso voltei e segui para Florianópolis pela costa, praias lindas.
Não quis ficar muito tempo em Florianópolis, fiquei num hotel distante em Cacupé e isso me dificultou circular mais. Mas foi uma ótima viagem de boas lembranças.

Rio São Francisco/ Sergipe/ Alagoas

Minha viagem por anos planejada!!!! Desde que começou a polemica da transposição do rio São Francisco mantenho esse desejo de ver de perto e ter a minha própria opinião a respeito do assunto; enfim em 2007 consegui subir o rio São Francisco até a foz.
A Bacia do São Francisco tem a seguinte divisão:
Alto
SF – desce a nascente até a Cachoeira de Pirapora em Minas Gerais.
Médio SF – da Cachoeira de Pirapora até a barragem de Sobradinho na Bahia.
Submédio SF – da barragem de Sobradinho até a barragem do Xingó em Sergipe.
Baixo SF – do Xingó ao Atlântico, foz do rio.

Minha intenção era sair de Pirapora e seguir pelo rio quando desse ou pelas cidades ribeirinhas quando fosse necessário, mas passei por semanas de chuva intensa e desisti desse trajeto iniciando a viagem já em Bom Jesus da Lapa.
Daí minha decepção, muitos trechos que não são navegáveis tiveram de ser feitos em ônibus, peruas ou carroceria de camionete em estradas barrentas e cheias de buracos. Persisti no meu roteiro até onde consegui, e achei trechos navegáveis onde segui em cima de “tototós” (aquelas canoinhas a motor usadas pelos ribeirinhos), isso sim foi o máximo. Na verdade eles seguem de uma cidade a outra levando alimentos para venderem ou trocarem, mas embaixo de chuva tudo dava medo, até mesmo de assalto no rio que dizem acontecem muito. Dizem que no trecho de Petrolina, Juazeiro e Cabrobó são onde ocorrem os mais altos índices de violência no Velho Chico.
Atravessei até chegar a Canindé do São Francisco, desse trecho em diante se encontra com mais facilidade as embarcações turísticas, mesmo assim quis ir parte do sertão sergipano por terra para ter mais contato com o povo que são contadores de história maravilhosos. E para quem sempre colocava o tema da transposição para poder ouvir suas opiniões. No caminho descobri a casa de uma senhora que vende doces caseiros e conheci o “doce de pão”, inimaginável!!! Sentei na varanda da casa dela junto ao seu pai, um senhor um pouco surdo que me contou ótimas histórias, fiquei fascinada e nem me preocupei com o tempo.
Chegando a Sergipe refiz minha programação para poder conhecer cidades próximas, segui para Laranjeiras num sábado onde encontrei uma feira maravilhosa, sempre quando viajo adoro visitar mercados e feiras, nesse lugares é que se encontram os verdadeiros nativos e sua gastronomia. É onde somos apresentados as frutas desconhecidas, aos costumes da cidade, tudo é muito sonoro e colorido, descobri a buchada de peixe. No dia seguinte a minha chegada segui numa escuna até o lago do Xingu, a Gruta do Talhado e os Canyons, que são formações rochosas e integram os três estados: Sergipe, Alagoas e Bahia. Ali paramos para um mergulho. Na volta paramos no restaurante flutuante Karrancas’s e me deliciei com uma “pituzada”.
Dia seguinte rumei para Alagoas por terra e me recordei das aulas de história na infância quando se falava em coronelismo. Não é muito diferente nos dias de hoje em áreas rurais do sertão. Também lembrei dos famosos canaviais, por incrível que pareça toda a estrada de Sergipe a Alagoas é ladeado de canavial ou plantação de soja. É um mar de plantação, isso me incomodou muito.
Tive uma péssima impressão quando cheguei a Alagoas, dei logo de cara com uma favela com esgoto a céu aberto. No budismo dizemos que o nosso estado de espírito se reflete na nossa expressão e as pessoas que encontrei por lá expressam miséria, não foi um lugar que me agradou, nem onde me senti a vontade e olha que já andei muito por aí. De Alagoas segui para Penedo, Piaçabuçu até a foz que costuma ser feito com a companhia de um fiscal do IBAMA, já que o delta faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Piaçabuçu. Viajei ao lado do comandante porque chovia muito e era a parte mais fechada do barco, isso foi ótimo porque ele me contou muitas histórias dessas idas e vindas no velho Chico. Me mostrou as áreas onde o mar já venceu o rio, as cidades ribeirinhas que estão sofrendo com a dificuldade na pesca, os pontos de paradas dos viajantes no meio do mato, os coqueirais, me contou aquilo que os guias turísticos não contam.
Só o que me faltou ver foram as famosas carrancas que ilustravam as revistas quando se falava das lendas do Chico, dos seres protetores, dos espíritos amaldiçoados. Enfim atravessei o rio sem dissabores mas levando comigo uma riqueza de histórias que não consegui registrar em nenhuma máquina fotográfica mas na minha lembrança. Segundo uma lenda indígena, conta-se que houve uma guerra no norte e os guerreiros do chapadão, onde várias tribos viviam felizes, seguiram para a luta. Eram tantos homens que seus passos cavaram um grande sulco na terra. O noivo da índia Iati foi um dos que partiram para a batalha. Ela chorou sem parar de saudades de seu amor, suas lágrimas caíram de uma enorme cascata, encheram o sulco aberto pelos guerreiros até o norte, até se derramarem no mar...
Cantava o rei do baião: “o rio São Francisco vai bater no meio do mar. Se eu fosse um peixe, ao contrário do rio, nadava contras as águas e, nesse desafio, saía lá do mar pro riacho do navio...”. Luiz Gonzaga faz uma sábia recomendação, a de fazer a viagem pelo avesso, seguindo o curso do maior rio brasileiro até suas primeiras águas.

Belo Horizonte x Espírito Santo

Em abril de 2006 segui de férias para Espítiro Santo saindo de Belo Horizonte de trem da CVRD (www.tremdepassageiro.com.br ou ligue para 0800 285 7000). O trem sai da capital mineira às 7h30min e o fim da viagem ocorre às 20h10min, em Vitória; tem ar condicionado, serviço de bordo e vagão restaurante que não me agradou muito mas de resto é legal.
Quando cheguei em BH o trem já estava lotado mas por sorte eu havia feito a reserva ainda no Rio e correu tudo bem. O vagão executivo é o melhor, não tem mal cheiro é limpo e confortável, mas tem o vagão econômico que é popular, aberto e me parece mais divertido para quem gosta de aventura. Um dia vou viajar nesse no sentido contrário.
Percorri a rota do minério: Belo Horizonte, Santa Bárbara, Barão de Cocais, Rio Piracicaba, João Monlevade, Itabira (berço da Companhia Vale do Rio Doce e do poeta Carlos Drummond de Andrade, está localizada a 110km de Belo Horizonte. A cidade possui a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, com reservas que garantem a extração de minério de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce por pelo menos mais 75 anos -
http://www.circuitodoouro.tur.br/itabira.php), Nova Era, Antonio Dias, Timóteo, Ipatinga, Ipaba, Cachoeira Escura, Periquito, Açucena, Gov. Valadares (http://www.valadares.mg.gov.br/not_vis.asp?cd=166), Tumiritinga, Galiléia, Barra do Cuietê, Conselheiro Pena, Crenaque, Resplendor, Aimorés, Baixo Guandu, Colatina, João Neiva, Ibiraçu, Fundão, Cariacica.
No trem conheci uma capixaba, Marilene, que fez questão de me levar ao hotel onde eu iria ficar, no centro de Vitória quando chegamos. Achei isso muito legal, trocamos telefone mas não tive mais contato.